Viagens

Um <i>museu</i> do sionismo

Gustavo Carneiro
A Síria é daqueles locais que, quando os visitamos, a maior dificuldade que se nos depara é escolher onde ir. Naquele país do Médio Oriente encontra-se vestígios de civilizações milenares, cidades romanas num notável estado de conservação, localidades onde ainda se fala o aramaico, castelos onde se fortificaram os cruzados, antigas igrejas cristãs e imponentes mesquitas...
Na capital Damasco, que das cidades actualmente existentes é a mais antiga do mundo, a tradição cruza-se com a modernidade. Edifícios recentes e amplas praças ombreiam com bairros milenares e minaretes pontiagudos. O movimento é fervilhante ao longo de todo o dia; o trânsito é caótico mas incrivelmente fluido; no grande suq – o maior do mundo – nunca nada se compra pelo preço inicialmente avançado pelo vendedor, o qual varia se o cliente for árabe, europeu ou norte-americano...
A cerca de 70 quilómetros a Sudoeste de Damasco está Quneitra, outrora a orgulhosa capital da região síria dos Montes Golã. Desde há quase quarenta anos que não passa de uma imensa ruína. Ocupada por Israel, juntamente com o resto da região dos Golã, em 1967 (quando também as regiões palestinianas da Cisjordânia e de Gaza e o Monte Sinai egípgio caíram sob alçada de Israel), Quneitra seria libertada em 1973.
Mas quando o exército sírio ali entrou, não foi uma cidade que encontrou: sentindo perdida aquela posição, os militares israelitas trataram de não deixar um único edifício de pé. Casas, lojas ou mesquitas, tudo ruiu ao poder da artilharia e dos bulldozers. De um lado e de outro das estradas, até onde a vista alcança, restam apenas amontoados de pedras, telhas e móveis, vestígios mortos onde antes pulsava a vida.
Nos arredores, é visível um grande edifício, ainda de pé. Mas à medida que nos aproximamos apercebemo-nos do seu estado de destruição. As paredes resistentes estão crivadas de marcas de balas e buracos por onde entraram mísseis. Ficamos a saber que se trata do antigo hospital central de Quneitra, que até 1967 era o maior e o mais importante de toda a região. Durante os seis anos de ocupação israelita, funcionou como prisão e alvo de treino para a aviação.
Nenhum país reconhece formalmente a soberania israelita sobre os Montes Golã, havendo inclusivamente resoluções da ONU que obrigam Israel a retirar dos territórios ocupados, mas Israel recusa-se abertamente a cumpri-las.
Em Junho de 1967 viviam nos Montes Golã mais de 140 mil pessoas em 249 aldeias sírias. Em pouco tempo, quase todas foram expulsas e as suas aldeias destruídas. Restaram apenas cinco, poupadas devido à chegada das forças das Nações Unidas. Actualmente, apenas 16 mil sírios vivem na parte ocupada dos Montes Golã – bem menos do que os israelitas que para ali foram enviados para viver nas dezenas de colonatos entretanto construídos.
Graças à ocupação dos territórios árabes, entre os quais os Montes Golã, Israel é o principal beneficiário das ricas reservas de água do Rio Jordão, literalmente roubadas aos seus legítimos donos.
Com a intenção de manter bem vivas as marcas da brutalidade sionista, e também devido à proximidade de Quneitra com a zona ainda ocupada, as autoridades sírias decidiram manter a cidade tal e qual foi encontrada no dia da libertação. Para que o mundo saiba!


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